Histórias de Memória: Meus dois Benjamins

Eu tinha 16 anos e era a vendedora mais nova de uma loja  de conveniências. Meu colega de trabalho era um rapaz alto bonito, moreno de cabelos curtos e ondulados com um bigode muito charmoso e olhos verdes profundos.  Cada sorriso fazia aparecer uma covinha simpática do lado direito.  Logo simpatizou comigo e queria me namorar a todo custo.  Apesar da insistência das minhas amigas que me invejavam em segredo, havia nele algo que não me agradava e  que nunca iria me agradar. Ele se chamava “Benjamim”!  Eu não suportava este nome!  Foi quando ele  pronunciou o nome que todo o encanto se evaporou !  Nunca mais quis sequer falar com ele.

O tempo passou e conheci Paulo. Ah, Paulo, um nome macho, cheio de personalidade que inspira confiança e orgulho.  Ele era alto, imponente, cabelo castanho escuro, olhos negros como jabuticabas e também tinha um bigodinho que era uma graça e o tornava muito sexy.  Era uma pessoa formada, inteligente, romântico, atencioso e frequentemente ele me convidava  para tomar sorvete ou comer um lanche.  Conversando, ele costumava me olhar nos olhos até perceber meu embaraço e então segurando a minha mão sorria e me dava um beijo no rosto.  Paulo era o sonho de toda garota.  Iniciamos um namoro sem os meus pais saberem e, alguns meses mais tarde ele veio em casa.  Precisava apresentá-lo aos meus pais. Eu só não sabia da surpresa que iria ter! Meu pai e minha mãe gostaram dele e eu fiquei muito contente.  Na época, moça direita não ficava namorando muito tempo; seu futuro com o rapaz  precisava ser definido. Foi nesta ocasião que o homem dos meus sonhos, para minha surpresa e a dos meus pais,  pediu  a minha mão em casamento. Papai gostou da ídeia e foi feito um  brinde para comemorar.

Eu não me aguentava de felicidade. No momento do pedido porém,  veio a minha outra surpresa : -“…não, não me chamo Paulo, meu nome é Benjamim!”.   Fiquei branca…Oh céus!  Isto não podia acontecer…  Então, olhando para mim e para meus pais, meio desajeitado, gaguejando um pouco, ele se desculpou e explicou que por não gostar do próprio nome tinha adotado o nome de Paulo .

Que choque! Porém,  a esta altura eu já estava completamente apaixonada. O resultado foi que, apesar desta notícia, sem titubear eu disse “sim” .  Foi assim que aceitei  o Benjamim/Paulo, o homem  da minha vida, com quem estou casada  há mais de 60 anos e com quem vivo muito feliz .

A ele dei o nome de “Ben”.

 

Marie Claire

 

 

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