Vamos Comemorar Rosh Hashaná

Hoje é um dia festivo na Unibes.  No grande salão, as paredes brancas estão decoradas com pinturas feitas pelos alunos do grupo de arteterapia.  Os ventiladores de teto estão na velocidade máxima, para proporcionar uma temperatura agradável.  As inúmeras mesinhas vestidas de toalhas brancas com suas cadeiras encostadas estão prontas para recepcionar o público. No meio do espaço,  que sugere um palco imaginário, há uma mesa  festiva com  castiçal, vela, copo e vinho   para  as bênçãos. No canto da parede pode-se avistar um instrumento musical: o piano.

De repente ouve-se um zum zum zum. O salão é invadido  por  uma enxurrada de cabecinhas brancas e grisalhas, juntas e misturadas. Senhoras, com seus trajes de festa, idade entre setenta e noventa anos ou mais, se ajeitam alegremente pelas mesas.  Os poucos senhores presentes também se apressam em apoderar-se de uma cadeira vaga.

A alegria é total, amigas que não se viam há muito tempo se abraçam, se beijam. É a oportunidade de por a conversa em dia.

Ouve–se um barulho. É o microfone que está sendo testado.  Funciona.   Uma voz familiar pede silêncio mas as alegres comadres não ouvem e continuam o bate-papo.  –“..Silêncio !”  O pedido é repetido, desta vez com energia, quase gritando.

Finalmente o silêncio se faz.  Ergo a cabeça e fico muito feliz em ver a silhueta da querida da Dª Olga , com o microfone na mão, dando as boas vindas a todos os presentes.  Seguem as palavras de Celia Parnes, Presidente da Unibes e de Patricia Lerner Sereno, Diretora do Depto. Envelhecimento, desejando a todos um Rosh Hashaná repleto de bons augúrios.  Nossa Coordenadora,  Regina Sneider,  a  “mãezona” que tudo programa, fiscaliza  e soluciona  está “de butuca” para que  tudo corra na mais perfeita ordem.

Neste instante chega o Hazan Avi Bursztein com a pianista Sima Halpern.   A voz grave e aveludada  entoa músicas em ídish. Músicas que trazem recordações e comovem. Observo as numerosas cabecinhas grisalhas  ao meu redor e vejo rostos emocionados  que traduzem  sentimentos diversos quando a música é mais alegre.  Algumas senhoras interagem.  Uma em especial, baixinha, com a cabeleira toda branca se levanta e empolgada acompanha o Hazan.   Eu também me emociono com a música.  Ela me faz sentir a “yidischkeit”  que existe dentro de mim  e dentro de cada  um dos presente.

O silêncio reina novamente; é a benção das velas e oração do ano novo que nós deixa compenetrados.  Todos se levantam para o toque do shofar.  Viva o ano novo!

Subitamente, alunos formados do curso profissionalizante de garçom, trajando preto, desfilam mostrando as suas habilidades com bandejas repletas de bebidas e pratos recheados para o lanche festivo. Finalmente, as mesinhas brancas são decoradas!

Agora  é só alegria. Meninas do Colégio Renascença, entre 10 e 11 anos apresentam danças típicas e no final convidam as “vóvos” para participar da dança ao som de músicas Israeli que todas conhecem.  As bengalas e os andadores ficam de lado. Todos estão empolgados e dançam. Dançam sem se lembrar das limitações  impostas pela idade,  dançam alegres e divertidamente. Eu  estou contagiada por toda esta alegria e danço, danço para dar as boas vindas ao ano novo.

SHANÁ TOVA UMETUKÁ !  Que seja um ano bom e doce para todos.

 

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