História de Memória: O pequeno montador de aviões

lua

O nome dele era Gabriel.

Era um menino de onze anos que frequentava a escola como qualquer outro menino da idade dele.

Ele era um bom aluno e muito esforçado, mas mesmo assim os professores não estavam satisfeitos com ele.

Nas provas ele sempre tirava ‘ótimo’ e quando os professores faziam perguntas ele sempre tinha a resposta certa.  Quando  ele fazia perguntas aos professores estes diziam que eram perguntas interessantes e inteligentes.

No entanto, os professores não estavam satisfeitos com ele.

Gabriel não conseguia  ficar sentado no mesmo lugar por mais de cinco minutos. Ele simplesmente não conseguia!  Os professores comentavam entre si que ele mais parecia uma mola, não parava quieto…

Acontece que o professor ficava explicando  a aula inteira coisas que ele já sabia .  Então ele ficava entediado e, especialmente durante a aula de história, Gabriel ficava  no mundo da lua, sonhando.

O pai de Gabriel era professor de história  e todos os dias, depois do jantar,  ele ficava lendo história com o filho explicando os detalhes da época.  Por isso, quando o professor dava aula e ensinava  Gabriel achava tudo muito bobo.

Então, ele ficava passeando entre as carteiras apesar das broncas.

Gabriel não aguentava mais  ficar o dia inteiro sentado e  sonhava, sonhava !

Ficava cortando papel em pedacinhos pequenininhos e fazia aviões e aí ficava concentrado. Ele era ótimo na fabricação de aviões! Descobriu que quando se faz um avião de papel muito estreito, ele logo cai.  Então ele  fazias as asas mais compridas e tomava cuidado para que as dobras fossem exatas e finas, quase como se fossem passadas a ferro.  Assim, seus aviõezinhos ficavam bastante tempo voando de um lado para outro na sala de aula.

Certa vez, ele se pôs a testar um desses aviões no meio da aula.  Não o fez por mal, ele não queria atrapalhar o professor, de jeito nenhum!  Mas ele estava tão concentrado no seu avião que esqueceu que estava no meio de uma  aula.

O professor ficou muito nervoso e o mandou direto para o diretor.

Gabriel teve que levar uma carta do diretor para o pai assinar.  O pai ficou bravo com ele  e triste.

Gabriel não tivera a intenção de atrapalhar os seus colegas de classe e também não fora a intenção dele de causar tristeza ao pai.   Por isso, no dia seguinte se esforçou para prestar atenção  nas aulas.  Ele tentou, mas não dava.  Ele já sabia tudo que o professor ensinava e concluiu  “Não tenho quase nada para fazer na classe!”

Certo dia, depois da aula, o professor o chamou para a sala dos professores.

“Ouça Gabriel”  ele disse  “Talvez você seja o menino com a maior capacidade da turma. Apesar disto eu não estou satisfeito contigo, e você sabe muito bem disto.

Gabriel não sabia o que responder.  Naquele mesmo instante  ele estava dobrando uma folha de papel.  O professor, com jeito,  pegou a folha das mãos de Gabriel, fez algumas dobras e depois mostrou a ele um barquinho.  “Está vendo” disse ele “Isso eu também sei fazer.  A pergunta é qual a utilidade disso?”

Gabriel permaneceu em silêncio.

O professor olhou para dentro dos olhos do menino e disse  -“Eu sei qual é o seu problema.  Quando você chega na escola, tudo aquilo que vou ensinar já está bem armazenado em seu cérebro. Daí, durante a aula você sente que não tem mais o que fazer, não é mesmo?”

Gabriel  fez sim com a cabeça.

-“Então por que você se ocupa com bobagens?” perguntou o professor  -“Você poderia ficar em casa e fazer algo mais útil.  Se você não faz nada na classe, deveria aproveitar melhor o seu tempo em casa”.

Gabriel permaneceu em silêncio, ele não tinha o que responder.

-“Vá para casa e tente voltar amanhã com uma solução para o problema” terminou o professor. Passou a mão  na sua cabeça e foi embora.

Naquele dia Gabriel ficou sentado em casa pensando em alguma solução mas não a encontrou.

A tardinha, como sempre, o pai chegou e disse “Gabriel, vamos  estudar?”  De repente uma ideia iluminou a mente de Gabriel.

-“Papai” disse ele  -“Podemos estudar uma outra  parte de história, outro episódio, ou uma passagem que não estou estudando na escola?”

O pai se espantou com a pergunta  -”Porque você não quer estudar aquela parte que você está estudando na escola?”

-“Porque se estudo antes, na aula já sei tudo e ficou entediado”  respondeu o menino.

– “Eu gostaria de chegar  na aula e ouvir tudo que o professor ensina,  como uma novidade, pela primeira. Com você, papai, eu poderia aprender outra coisa”.

O pai ficou muito contente com aquela ideia.  Naquela tarde sentaram e leram outro episódio.

Foi assim que a partir daquele dia, Gabriel na classe  ouviu sentadinho, com vontade e interesse as palavras do professor.  O menino chegou à conclusão que matéria nova é sempre cativante  e gostosa de ser estudada e que é legal sentar e prestar atenção ao professor dando aula de maneira tão legal.

No entanto,   Gabriel nunca parou de montar seus aviõezinhos de papel. Mas este   trabalho tão “importante”   só podia  ser feito depois das tarefas de casa.

Hoje ele é Engenheiro Chefe da montagem de aviões numa importante empresa aeronáutica.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s