Marie Claire por Marie Claire

O texto a seguir foi usado na minha apresentação no IV Congresso do Envelhecimento Ativo na Câmara Municipal de São Paulo, dia 22/09/2018

MClaire

Meu nome é Marie Claire. Sou francesa de Paris e sou sobrevivente do holocausto.  Minha infância se resume a corridas para abrigo das bombas, a esconderijos e constante mudança de endereço para evitar ser presos pela Gestapo (policia secreta nazista).

Até os 12 anos, vivemos como nômades, de cidade em cidade e de um país para outro em meio às ruinas de guerra. Até que o dia em que meu pai recebeu uma carta de um amigo que o aconselhou a vir para o Brasil,  país do futuro.  Foi assim que, após uma longa viagem de navio, chegamos neste país que nos acolheu tão bem.  Para mim foi o fim de “sentir fome”.

O tempo passou como passa para todos. Estudei, me formei em línguas e trabalhei. Casei, tive um filho e fiquei viúva.

Mas o destino me reservou uma dura prova.  Perdi meu filho no seu quadragésimo aniversário e na véspera do seu casamento.

Fiquei completamente órfã; órfã de pai, mãe, marido e filho (de todos os familiares pois foram exterminados pelos nazistas)

É claro que fiquei sem rumo. Este luto foi uma experiência totalmente nova na minha vida, mas não me entreguei.  Resolvi que iria sofrer tudo que tinha de sofrer e chorar tudo que tinha que chorar para poder, em algum momento, levantar a cabeça, enxugar as lágrimas e olhar para frente.

Foi assim que dei um novo significado para a minha velhice e que ampliei a minha visão sobre o envelhecimento.

Faço parte do grupo de danças Israeli e coral da terceira idade da UNIBES. Sou blogueira, e é no meu blog  “palavreando.blog de Marie Claire Blatt” que se encontram os meus trabalhos. Também estudo violão clássico e popular.

Sou cronista e escrevo contos e histórias de memória que depois de musicados são apresentados em casas de longa permanência, residencial para idosos e Centros Dia.

Trabalho como voluntária numa clinica onde ajudo na terapia ocupacional e quando sobra tempo visito pessoas  enfermas, onde faço leitura, conto histórias ou simplesmente mantenho conversação.

Participei ativamente da Virada da Maturidade onde já atuei como Repórter Cidadão e também com uma palestra sobre o livro Velhice uma Nova Paisagem da psicóloga Maria Celia de Abreu que trabalha a velhice como  uma nova paisagem para resignificar o envelhecimento e atualmente frequento um curso de Jornalismo Profissão Repórter 60+ cujo intuito é proporcionar reciclagem e atualização a pessoas com mais de 60 anos, possibilitando a sua reintegração no mercado de trabalho.

Hoje, me parece que os anos foram passando tão rapidamente e ao mesmo tempo devagar e difíceis.  No entanto, estou feliz por ter passado pelas diversas paisagens da vida.

Agora, no processo do envelhecimento sei de uma coisa, estou vivendo sem me preocupar se chegarei aso 90 ou 100.  Afinal a poção ou elixir da eternidade ainda não foi encontrado e saber envelhecer é continuar fazendo acontecer momentos alegres, felizes e plenos.

Aprendi a olhar a vida com otimismo e vontade de viver e fazer com que os  anos atuais e os a virem se tornem uma “Bela Velhice”

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